Acredito que todos os tutores (tentamos não chamar mais de proprietários) de cães e gatos gostariam saber qual a melhor maneira de corrigir um comportamento indesejado.

A tendência natural é gritar: NÃO!

NÃO LATE, NÃO PULA, NÃO COME, NÃO PODE, NÃÃÃÃÃÃÃO PARA TUDO!

Alguns filhotes devem até achar que se chamam “Não”…

Independente da técnica de adestramento utilizada, nós costumamos chamar a atenção dos animais quando queremos que eles parem de fazer determinada ação.

Mas esta técnica pode gerar muita confusão na cabeça do animal e estimular o comportamento indesejado.

Vou exemplificar:

Tobi é um cão que costuma “roer”, lamber e morder seus dedos das patas.

O processo pode ter iniciado com alguma coceira ou lesão local.

Mas vamos considerar que ele já foi tratado e não apresenta mais a causa inicial para se coçar.

A família que mora com o Tobi se incomoda quando ele está “em ação” e costuma falar: “Tobi, para de lamber a pata!” Assim vamos ter que te levar ao vet. de novo! E você não vai gostar…blá blá blá…

Agora vamos analisar esta cena do ponto de vista do Tobi: estou querendo atenção, ninguém fala comigo, um está no computador e o outro não larga o jornal… minha pata está coçando um pouco, vou conferir!

Assim que ele começa a se coçar, todo mundo para de fazer o que está fazendo.

Olham para ele, falam com ele, dão atenção para ele.

Mesmo que seja com uma bronca, é uma forma de atenção.

Sem considerar que não costumamos dar bronca quando suspeitamos que nosso cão ou gato está sentindo algum incômodo, sentimos pena.

Nestes casos, falamos de maneira doce, o que só reforça a confusão.

Então, como agir?

Não dê atenção quando ele se lamber, ele pode gostar e repetir este comportamento sempre que quiser atenção!

O ideal é interromper a ação: faça um barulho estranho para interromper a ação e olhe para o outro lado, disfarce!

O barulho estranho pode ser um chiado com a boca, chocalho, apito, palma, fazer um a nota aguda com a boca, spray de ar comprimido- existem até opções a venda nas pets.

Nem cruze o olhar com seu animal.

Assim não haverá o risco dele associar e confundir a interrupção como atenção.

O barulho serve só para dar um susto, mas não deve  gerar medo no animal.

Assim que ele parar de se lamber, chame-o, dê algum comando – a ideia é ele ficar focado em você- e faça uma interação com ele (brinque, dê petisco, escove etc).

Outra opção é você sair do ambiente em que estão. Desta forma, ele vai entender que quando se lambe, perde sua companhia.

Os animais que se comportam assim costumam ser carentes. Se dependesse deles, receberiam carinho e atenção 24h por dia.

Esta costuma ser uma maneira deles deixarem bem claro que precisam da nossa companhia e interação.

Em contrapartida, “encha o tanque dele” de atenção!

O ideal é uma interação direta, com aquilo que ele mais gosta (escovação, carinho, brincadeira, exercícios de adestramento – sempre funciona melhor com petiscos).

Faça isso de preferência 2 x dia. Bastam poucos minutos, como se fosse um remédio.

O exemplo de lamber as patas é um clássico, mas os animais podem fazer loucuras para chamar nossa atenção.

Vale comer terra do vaso, raspar o chão, correr atrás da própria cauda, subir na mesa, roubar óculos, sapatos, meias…

Também é importante sabermos que estas atitudes não são “malandragens” desenvolvidas por eles.

Eles aprenderam por repetição! Tudo começou com uma coceira na pata que despertava a atenção dos humanos…

 


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focinho do cachorro
rabo do gato