Foto de Patricia Nunez

O envelhecimento predispõe os animais a desenvolver algumas doenças, o corpo já não responde bem às necessidades do dia-dia.

Se estivermos atentos, podemos prevenir que as doenças se instalem, ou se agravem.

Um exame clínico de rotina no animal idoso é fundamental.

As principais alterações são:

  • Artrite – os animais raramente reclamam de dor, mas a dor articular é muito comum nos cães idosos. Em geral, eles diminuem a atividade, não conseguem mais subir e pular como antes e podem ficar desconfortáveis na mesma posição, inquietos. O controle da dor é possível através de medicação e acupuntura. Saiba mais em http://www.bichosaudavel.com/artrite/
  • Dentes – a formação de placa bacteriana e cálculo dentário (tártaro) é muito frequente. É possível prevenir durante toda vida através da escovação e alimentação adequada. O tratamento deve ser realizado por um veterinário capacitado. Saiba mais em http://www.bichosaudavel.com/mau-halito/
  • Nutrição – a alimentação do idoso deve ser adaptada. Existem rações destinadas aos idosos, em geral, são chamadas de “senior”. A obesidade é muito comum e além de predispor a outras doenças, diminui a longevidade (saiba mais em http://www.bichosaudavel.com/obesidade-em-caes-e-gatos/). Nem todo animal idoso é obeso, alguns são muito magros e perdem massa muscular com a idade. Os animais com doenças específicas devem se alimentar com rações indicadas, disponíveis no mercado. Converse com o veterinário do seu animal.
  • Doença Renal – doença metabólica mais comum em gatos idosos. Com diagnóstico precoce (só possível através de exames de sangue) podemos prevenir o agravamento e oferecer qualidade de vida e longevidade. Por esta razão recomendamos exames de sangue rotineiramente a partir de determinada idade (depende do porte do animal – saiba mais em http://www.bichosaudavel.com/tabela-idade-4/)
  • Doenças Endócrinas – o hiperadrenocorticismo (doença de Cushing) e o hipotireoidismo são as mais comuns nos cães. Na primeira, a quantidade de cortisol secretada é excessiva resultando em diversas alterações no animal. Já o hipotireoidismo é a baixa atividade da glândula tireoide. Existe tratamento, que melhora muito a vida dos animais.
  • Coração – doenças valvulares, aumento cardíaco, dirofilariose. Se precocemente detectadas, são tratadas ou controladas.
  • Olhos – assim como nós, a visão dos animais piora com a idade. Além da perda da acuidade, há muitos casos de catarata, diminuição da lubrificação ocular (olho seco) e consequente ceratoconjuntivite seca. A catarata pode ser operada, mas preferencialmente em animais mais jovens. Consulte um oftalmologista veterinário.
  • Tumores na Pele – os nódulos, massas e verrugas são muito comuns nos cães idosos. O veterinário deve avaliar (através de exames citológico ou biopsia) a necessidade de remoção cirúrgica dependendo da localização, tamanho e incômodo. Se não retiradas devem ser monitoradas (observar se aumentam e/ou se modificam).
  • Câncer – existe tratamento para alguns tipos de câncer, nem todos são fatais.. É fundamental fazer o diagnóstico o mais cedo possível. O prognóstico depende do tipo, da localização e da presença ou não de metástase (saiba mais em: http://www.bichosaudavel.com/animais-tem-cancer/).
  • Incontinência Urinária – animais idosos podem se tornar incapazes de  controlar a urina, eliminando pequenos ou grandes volumes quando dormem. O tratamento pode ajudar e também é possível adaptar “fraldas” para oferecer conforto e higiene.
  • Problemas Reprodutivos – a próstata, os testículos, os ovários, mamas e útero podem apresentar problemas nos animais idosos. Na maioria das vezes é necessário realizar a esterilização cirúrgica para tratar. A castração precoce previne estas patologias e o risco maior de uma cirurgia num animal idoso.
  • Disfunção Cognitiva e Comportamento – assim como nós, os animais tendem a ficar mais solitários, impacientes e irritáveis. As vezes, eles erram o local determinado para defecar e urinar, latem ou miam demais e  chegam a ficar encurralados em locais da casa que eles sempre conhecerem (EX: entre a parede e o armário). É possível prevenir o aparecimento destes sintomas com medicação e exercícios. Converse com seu veterinário. Saiba mais em: http://www.bichosaudavel.com/disfuncao-cognitiva-canina-alzheimer-canino-com-a-colaboracao-da-dra-liliane-pantoja/
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Os animais também estão vivendo um aumento na expectativa de vida, assim como nós, humanos.

Muitas vezes, é difícil diferenciar o envelhecimento normal do patológico, conhecido como disfunção cognitiva canina (DCC).

As alterações são similares às encontradas na doença de Alzheimer em humanos (perda de orientação, interação social-ambiental, ciclo de sono-vigília, treinamento higiênico e outras atividades).

Assim como nos humanos, os cães com DCC podem perder completamente o contato com o ambiente e com as pessoas que convivem.

Os gatos também podem apresentar esta disfunção, saiba mais, clicando aqui.

Os cães são considerados idosos a partir dos 8 anos de idade, mas dependendo do porte e da raça, esta definição pode variar (a partir de 5 anos de idade – raças grandes e gigantes).

Com o envelhecimento, diversas alterações podem ser encontradas, como a perda da memória e aprendizado – desorientação, mudanças na interação social e ambiental, mudanças no ciclo de sono/vigília e perda do treinamento higiênico.

Alguns cães se perdem dentro de sua própria casa, olham fixo no espaço, ficam presos em espaços apertados, vão para a porta errada ou o lado errado da porta na hora de sair, andam sem direção e podem até não reconhecer membros da família.

O cão com DCC costuma dormir mais durante o dia e ficar acordado à noite, chorar, latir, uivar, arranhar o chão e até mesmo acordar seus tutores.

É bastante comum os cães urinarem e defecarem fora do local que estão habituados e até mesmo na sua própria cama.

Outros sinais menos frequentes são o aumento da ansiedade, alterações de apetite, intolerância ao exercício, dificuldade para subir escadas, aumento da irritabilidade, surgimento de novos medos e fobias e comportamentos destrutivos.

A principal causa da DCC é a formação de depósitos de substância beta-amilóide em diversas áreas do tecido cerebral.

O diagnóstico da DCC é clínico, isto é, não existem exames que determinem a doença.

É fundamental  excluir outras doenças que podem causar alterações de comportamento (como falência de órgãos, tumores, outras doenças degenerativas, doenças autoimunes, déficits sensoriais, dor, outras doenças que afetem o sistema nervoso central ou sua circulação, endocrinopatias, problemas no trato gastro-intestinal e problemas urinários).

A diminuição da visão ou da audição são comuns em cães idosos, podendo contribuir para um sono mais profundo, desatenção e dificuldade em localizar a origem de alguns sons.

O enriquecimento ambiental também contribui para melhorar a função cognitiva em cães idosos, através de treinamentos, brincadeiras, exercícios, brinquedos interativos (à venda nas petshops), atividades durante o dia para que o cão durma à noite e adição de odores (perfumes leves), sons e diferentes sensações táteis (tapetes, carpetes) para facilitar a identificação de ambientes.

Se você perceber algum destes sinais em seu cão idoso, procure atendimento veterinário, pois a disfunção cognitiva tem tratamento e, apesar de não ter cura, pode aumentar muito a qualidade de vida do seu companheiro e retardar a progressão da doença.

Assim, melhora também a qualidade de vida daqueles que cuidam do animal,  pois além de ser triste ver o amigo de tantos anos sofrendo, ninguém gosta de ficar acordado porque o cão anda e chora a noite toda, nem de pisar num xixi no meio do corredor durante a madrugada, não é?

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