agressive dog

A agressividade é o distúrbio comportamental mais grave e frequente nos cães e gatos.

Muitos famílias  não percebem que a agressividade está se manifestando aos poucos e se não forem adotadas medidas para tratar, a tendência é só aumentar.

É fundamental diagnosticar e começar a tratar assim que os primeiros sinais de agressividade aparecem.

Em primeiro lugar, devemos entender que algumas manifestações agressivas são normais, isto é, ocorrem dentro do contexto. Um animal com dor pode não permitir que examinem e manipulem a área afetada e isto não significa que ele é um animal agressivo. Ele pode simplesmente estar se comunicando, avisando e evitando sentir mais dor ainda.

Assim como um animal que defende seu território de invasões pode não ser considerado agressivo, está somente exibindo um comportamento natural da sua espécie.

O número de acidentes e animais abandonados por causa da agressividade, é muito alto. O tratamento visa diminuir a taxa de abandono e promover uma melhor relação entre o animal e seus donos.

Raramente a agressividade é causada por uma doença neurológica, metabólica ou até mesmo infecciosa, como a raiva. Mas podem existir várias causas orgânicas que contribuem para um animal se comportar de forma agressiva, como alterações hormonais, por exemplo.

De onde vem a agressividade?

O comportamento de um animal se forma a partir da herança genética herdada da sua família somada ao ambiente que ele vive.

Assim que o filhote nasce ele já tem uma tendência comportamental. Se ele for bem ensinado pela sua mãe (as mães caninas e felinas também são as melhores educaoras!) e bem socializado pela sua família humana, o filhote tende a se desenvolver de forma sociável e dócil. É fundamental o filhote aprender a controlar a intensidade da mordida nas brincadeiras de morder com sua mãe e irmãos. Um filhote não deve ser separado de sua família antes dos 60 dias.

Classificação

Existem diversos tipos de agressividade (nenhum deles considerado apropriado). Estas classificações podem variar de acordo com as associações de diferentes países.

A maioria dos animais agressivos apresenta 2 ou mais tipos de agressividade:

  • Social – ocorre em cães. Era classificada como dominância, mas este conceito não é mais considerado correto. Envolve ansiedade, controle, é um cão que quer sempre testar sua posição. Ele acredita ser o chefe e como tal tem o direito e dever de controlar o ambiente, definir as regras e dar as ordens. Noventa por cento dos cães agressivos por dominância são machos.
  • Medrosa – ocorre em cães e gatos, é o segundo tipo mais comum. Em geral ocorre em animais que foram pouco socializados e/ou sofreram maus tratos ou traumas.
  • Territorial / Proteção – ocorre em cães. Em geral desejada e estimulada pelos donos que querem um cão de guarda. É normal dar o alarme, mas o ideal é ensinar ao cão quando parar – e eles são totalmente capazes de aprender este limite.
  • Entre animais – ocorre em cães e gatos. Quando eles vivem no mesmo ambiente, costuma se relacionar com uma disputa por atenção e recursos (alimento, local de descanso etc). Quando as brigas ocorrem na rua, os motivos podem ser muito variados, mas é possível socializar um cão que não tenha muitos amigos.

Quanto aos gatos, se eles brigam na rua, é melhor não deixá-los sair! O risco de contaminação por viroses e a ocorrência de machucados feios é muito alto.

  • Redirigida ou Irritável – ocorre em cães e gatos. Quando o animal não pode agredir quem ele deseja (por ex: expulsar um gato que passa na janela) ele agride o que estiver mais próximo. Acontece muito quando há briga entre animais e uma pessoa ou mesmo outro animal se aproxima para tentar separar (nunca separe uma briga com as mãos ou seu corpo! Prefira almofadas, pedaços de papelão etc).
  • Relacionada à comida – somente em cães. Ocorre uma proteção do seu alimento.
  • Possessiva – cães. Protege seus pertences, pode ser um brinquedo, um osso, o prato de comida ou até mesmo uma pessoa!
  • Predatória – cães e gatos. O instinto caçador permanece e pode se dirigir também a objetos em movimento (bicicletas, patins – cães e partes do corpo como tornozelos em gatos).
  • Idiopática – imprevisível, violenta de causa desconhecida.
  • Lúdica – cães e gatos. Inicia com brincadeira, mas o animal não sabe quando parar e acaba agredindo. Muito comum em animais que foram separados muito cedo de sua mãe e irmãos e não tiveram oportunidade de aprender os limites com eles.

Prevenção e Tratamento

O fundamental é perceber que o animal está agindo de forma inapropriada. Nem sempre a família que convive com ele  percebe os primeiros sinais de agressividade. O veterinário ou até mesmo visitas podem perceber e a família deve prestar atenção.

A castração dos machos, foi por muitos anos uma das medidas principais a ser recomendada. A testosterona (hormônio masculino) não é a causa da agressividade, mas pode funcionar como “pilha”, aumentando a intensidade da agressão. Existe muita resistência em algumas famílias para realizar a castração, principalmente em machos. Precisamos lembrar sempre que os animais não namoram, noivam e casam como nós humanos. A reprodução ocorre exclusivamente para perpetuar a espécie. Os animais não precisam se reproduzir para “se completar como indivíduos”, para serem mais saudáveis ou outros mitos propagados por aí. Em países com altos índices de animais abandonados, a castração é fundamental para controle de natalidade.

Nunca agrida o seu animal por ser agressivo, só vai gerar mais tensão, ansiedade e agressividade. Devemos usar a ferramenta que nos diferencia dos animais : a cabeça!

Saiba mais sobre castração, clicando aqui.

Os cães que controlam o ambiente precisam saber que não são eles que definem as regras da casa e isto requer treinamento e disciplina – ensine alguns comando para seu cão (o senta é o mais fácil) e mande-o sentar para receber alimento, carinho, atenção e brincadeiras. Se ele não obedecer, não forneça o alimento, não dê carinho e  ignore-o. Você pode repetir o exercício, mas com intervalo mínimo de 15 minutos.

Se você tiver dificuldade em treinar seu cão, não hesite em contratar um profissional capacitado e certifique-se que ele não usará técnicas que envolvem punição, como trancos, puxões etc.

Saiba mais sobre adestramento, clicando aqui.

No caso de cães e gatos que confundem brincadeira com agressividade (lúdica), evite brincar de forma brusca. Sempre dê o limite, sinalize para seu animal quando a brincadeira deve parar. Evite brigar de luta com os filhotes, eles brincam desta forma entre eles, mas nós não dominamos a linguagem deles e acabamos confundindo-os sem sabermos indicar quando eles devem parar.

A agressividade idiopática (quando não se sabe a causa) grave não tem tratamento e a melhor opção pode ser a eutanásia. É muito difícil, mas é a solução mais humana e segura. Manter o animal preso, acorrentado e isolado de todos pode ser muito pior. O animal acaba adoecendo e sofrendo sem receber assistência e tratamento.

Para todas as formas de agressividade,  é fundamental mostrar para seu animal que este comportamento não é apropriado e desejado por você. A melhor maneira é intervir imediatamente.

A melhor maneira de lidar com cães que são insistentes e querem nossa atenção o tempo todo, é não dar atenção neste momento, não interaja, não fale nada e desvio olhar. Chame-o quando ele estiver relaxado. Existem muitas maneiras de se divertir com seu cachorro!

O melhor reforço é elogiar sempre que ele se comportar de forma adequada, como por exemplo quando ele estiver sentado perto de você!

Se o seu animal está apresentando sinais de agressividade, inicialmente, evite todos os conflitos. Até você sentir confiança no seu cão, não provoque-o. Se ele não gosta de determinada ação, como ser escovado, por ex., não insista. Se pararmos para pensar, vamos concordar que muitas vezes as pessoas forçam um contato com um animal que estava sossegado, descansando, por exemplo. Devemos orientar as crianças e desconhecidos sobre os limites e respeitar a individualidade dos animais. Ninguém gosta de ser peeturbado enquanto está dormindo, não é mesmo?

Se o seu cão te ameaçar, demonstrar que vai agredí-lo, assuma a posição de “árvore”, isto é, cruze os braços, fique imóvel e olhe para cima – não cruze nem o olhar com o dele.

 NUNCA DEIXE SEU ANIMAL AGRESSIVO SOZINHO COM CRIANÇAS, IDOSOS OU PESSOAS INCAPACITADAS DE SE DEFENDER !!
PROCURE AJUDA PROFISSIONAL


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